Disforia de gênero se espalha pela internet como epidemia

O número de casos de disforia de gênero tem aumentado explosivamente nos últimos anos, especialmente entre os jovens. Estou chocado com o tratamento drástico, irreversível e anticientífico que dão a este assunto. Esse pode ser o maior escândalo de saúde pública jamais visto em nosso país.

No dia 5 de setembro, 17 pais de crianças com disforia de gênero escreveram uma coluna para o jornal sueco Dagens Nyheter a respeito da epidemia de disforia de gênero entre crianças e jovens adultos (de 18 a 25 anos). Eles descrevem uma epidemia na qual o contágio social é o protagonista.

Na psiquiatria, é comum que epidemias se espalhem socialmente. Outros exemplos do mesmo tipo são os distúrbios alimentares e o comportamento autodestrutivo.

Através da internet, a disseminação social se tornou mais fácil e, portanto, aumentou. Começou através de contatos via mensagens de texto. O aumento se tornou exponencial através do crescimento das mídias sociais. A tendência cresceu ainda mais com o uso dos smartphones.

Quando os distúrbios alimentares e o comportamento autodestrutivo começaram a aumentar, a comunidade de profissionais de saúde pública tentou o seu melhor quando a tendência chegou aos consultórios para tratamento. Irei exemplificar a forma como abordamos o comportamento autodestrutivo, que começou a aparecer no começo dos anos 1990.

Inicialmente, nós forçávamos esses jovens ao tratamento e os mantinhamos sob vigilância constante com o propósito de reduzir seu comportamento autodestrutivo. O resultado era exatamente o oposto.

Os jovens se sentiam monitorados como se estivessem presos, e seus níveis de ansiedade aumentavam, seu comportamento autodestrutivo escalava e sangue estava literalmente sendo derramado. Houveram muitas intervenções com cintas para restringir seus movimentos e medicação forçada.

Mas nós aprendemos. Nos demos conta de que havia uma contaminação bastante difundida e tentamos evitar a hospitalização em alas fechadas.

Depois de uma década, a pesquisa mostrou resultados promissores através da psicoterapia. Hoje, profissionais por todo o país estão tratando o comportamento autodestrutivo com psicoterapia cientificamente embasada. Geralmente, os pacientes param de se machucar dentro de três meses.

Desde 2014, os seis centros de recepção de crianças para tratamento de disforia de gênero têm visto uma avalanche de novos casos. Em 2013, Estocolmo recebeu 24 pacientes. Entre os anos de 2016 e 2018, de 197 a 239 novos casos apareceram anualmente, o que corresponde a um aumento entre 8 a 10 vezes em um período de três anos, de acordo com um artigo do jornal sueco Expressen.

Há um aumento correspondente em todos os centros de recepção em todo o país. Milhares de crianças e jovens adultos têm recebido o tratamento de correção sexual ao longo dos últimos cinco anos.

Diferente da epidemia de comportamento autodestrutivo, os profissionais da saúde não estão explorando o assunto o suficiente para encontrar o tratamento certo. Em vez disso, em uma frente ampla, tratamentos drásticos com altas doses de hormônios sexuais e cirurgias genitais e de remoção de seios são introduzidas. Isso acontece a despeito da falta de qualquer evidência científica do uso desses tratamentos em crianças, e provavelmente também para jovens adultos.

Pesquisas mostram que pelo menos 75% dos pacientes com disforia de gênero possuem outros problemas de ordem psiquiátrica. No grupo de crianças e jovens adultos, autismo, distúrbios alimentares, comportamento autodestrutivo e abuso são comuns. Para todas essas condições existe tratamento baseado em evidências. Recebendo este tratamento, a disforia de gênero geralmente desaparece, uma vez que se trata de uma condição secundária a todas as outras.

O cérebro passa por grandes mudanças durante a adolescência. O desenvolvimento acontece da parte posterior do cérebro e vai se movendo até a parte anterior. A última parte do cérebro a amadurecer é o lobo frontal. É nele que funcionam as capacidades de pensamento holístico, empatia e julgamento. O cérebro só se desenvolve totalmente entre os 25 e 30 anos de idade.

Uma vez que a disforia de gênero geralmente é secundária a outras condições psiquiátricas para as quais existe tratamento baseado em evidências, e que a terapia corretiva de gênero para adolescentes carece de sustento científico, todas as terapias de gênero para pacientes abaixo dos 25 anos devem ser descontinuadas.

Existe a necessidade de uma investigação independente a respeito do que provavelmente é um dos maiores escândalos de saúde pública da história do nosso país.


O médico Sven Roman é especialista em psiquiatria infantil e adolescente. Traduzido do inglês a partir do texto publicado no site Pediatric and Adolescent Gender Dysphoria Working Group.