Era e civilização tecnológica: a filosofia de Álvaro Vieira Pinto

O conceito de “era tecnológica” encobre, ao lado de um sentido razoável e sério, outro, tipicamente ideológico, graças ao qual os interessados procuram embriagar a consciência das massas, fazendo-as crer que têm a felicidade de viver nos melhores tempos jamais desfrutados pela humanidade. Para dar esta impressão faz-se mister recorrer a diversos sofismas, que ao longo destas páginas tentaremos indicar.

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Dossiê pós-cinzas – parte 2: A festa que destrona e coroa

Num momento em que, pelos mais variados motivos, uma parcela significativa do eleitorado optou por um governo tão fortemente identificado com o retrocesso, talvez não seja eficaz denunciar raivosamente suas contradições. Na presente conjuntura, em que boa parte da sociedade brasileira se mostra tão resistente a conceitos básicos de humanidade, como a ideia de igualdade de oportunidades ou a proteção aos direitos humanos, talvez valha pouco apontar o menosprezo governamental por tais temas. Talvez um governo como o atual se desgaste muito mais se desnudarmos a insolúvel contradição entre seu discurso moralista e a corrupção que lhe infesta todos os escalões. Ou então, se evidenciarmos a incompetência ou a ignorância crassa que permeia várias de suas ações e posicionamentos públicos. Para tais narrativas, o deboche inerente à espontaneidade dos blocos pode servir muito bem. Se não para derrubar os portões do palácio, pelo menos para mostrar o quanto o rei está nu.

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“Trabalho sexual” é um termo neoliberal

As tentativas do campo do “trabalho sexual” — uma maioria, suspeito, dado o quão bem ele se encaixam na ortodoxia acadêmica de gênero neo-Nietzschiana — de reduzir a prostituição a um processo laboral escondem precisamente a forma de alienação com a qual as feministas confrontaram o marxismo; não é o trabalho que está sendo roubado, mas é a própria sexualidade de um ser humano que está sendo-lhe tirada.

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